Que furam as pálpebras impondo
A primeira luz
O dia entra na cidade pelo lado do rio
Estilhaçando as vidraças que nos protegiam
no escuro
Reviram-se as torres de carne
à procura de quem ficou na noite
Queimam no chão os restos frios
de quem amou, de quem acabou de acabar
Logo pela manhã enquanto as pessoas sobem e descem
a rua roubada
teimo contigo de que te amo mais
do que aquilo que possas compreender.
(Fernando Ribeiro)

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